A Bíblia Sagrada foi originalmente escrita em três línguas principais: hebraico, aramaico e grego. Cada uma dessas línguas traz consigo uma profundidade única, carregada de significados que, muitas vezes, se perdem nas traduções modernas. Mergulhar no estudo dessas línguas originais é essencial para entender a verdadeira intenção dos autores bíblicos e, sobretudo, captar as nuances da mensagem divina.
O hebraico, idioma predominante do Antigo Testamento, é uma língua rica em simbolismos e imagens poéticas. Termos como shalom vão além de uma simples tradução como “paz”; envolvem uma ideia de plenitude, bem-estar e harmonia com Deus e a comunidade. Um exemplo marcante dessa profundidade pode ser visto em Gênesis 1:1: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. A palavra hebraica usada para “criou” (bara) é utilizada exclusivamente em referência a Deus, denotando um ato criador divino único e soberano.
O aramaico, por sua vez, aparece em porções específicas das Escrituras, como em partes dos livros de Daniel e Esdras. Era a língua falada pelo povo judeu durante o exílio babilônico e, provavelmente, a língua que Jesus usou em muitos de Seus ensinamentos. Uma das expressões mais impactantes em aramaico é o clamor de Jesus na cruz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” (Mc 15:34), que significa: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” — um eco do Salmo 22, carregado de dor e profundo significado teológico.
O grego koiné, língua do Novo Testamento, é notável por sua precisão e riqueza filosófica. No evangelho de João 21:15-17, Jesus questiona Pedro três vezes se ele O ama. No texto original, duas palavras diferentes para “amor” são usadas: agapao (amor divino, incondicional) e phileo (amor fraternal). Em português, essas distinções se perdem, mas no grego, revelam um diálogo cheio de profundidade emocional e espiritual.
Estudar a Bíblia em suas línguas originais nos permite acessar um nível mais profundo de compreensão, trazendo à luz as intenções reais dos autores sagrados e a riqueza da revelação divina. Cada palavra carrega um significado especial, e sua análise abre portas para uma compreensão mais pura e fiel do texto.
O salmista declara: “A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples” (Sl 119:130). Por meio do estudo das línguas originais, o leitor não apenas se aproxima da pureza do texto bíblico, mas também se conecta de forma mais íntima com o coração de Deus.
Em um mundo repleto de traduções e interpretações variadas, a exegese linguística se torna uma bússola, guiando os estudiosos a uma compreensão genuína da mensagem eterna do Senhor. Estudar o hebraico, o aramaico e o grego não é apenas um exercício acadêmico, mas uma jornada espiritual em busca da verdade mais profunda da Palavra de Deus.